quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Pinta

Tinha uma pinta na barriga e eu dizia, "o umbigo do mundo". Era para lá que eu me escorria, nas miúdas mortes de todos os dias. Nua, levo só o necessário: a rua Maxwell, a fábrica de apitos, alguns poucos e bons amigos. Pega o Tito! Que passarinho não sabe viver aí fora sozinho. Traz feijão e a zuza, que ninguém faz igual. Ciprestes, o nosso monte de areia, o cavalo da vovó. Traz o ré, o mi e o dó, e com eles as Gerais. Traz o frio e as lembranças do final da minha infância, que avança e se esvai. Das dores, as maiores. Que os amores já vem junto. Do que sou, o mergulho. Que é o encontro mais profundo.

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