Sexta-feira, 11 de maio de 2012.
Entro. Pedindo lincença discreta, só porque ainda me resta aquilo que chamam de educação. E me resta a vontade também. Posso entrar? Gosto do jeito como vocês lidam com a vida. E gosto muito do jeito como ela nos escreve. Ontem cheguei tarde em casa, exausta do dia à toa na sala branca. Entrei descalça e fui me despindo. Aos poucos. Bolsa na cozinha, Casaco -aquele vermelho, lembra?- na sala, vestido no corredor. A ducha fria escorria e enquanto eu olhava o ralo, começei a pensar em um tanto de coisas. Para onde vai tudo o que se lava (e não se leva) durante o dia? E aí lembrei de você. Não por conta do ralo. Sei lá, talvez um pouco por conta do ralo. Aliás, li suas cartas. Não entendi muito bem o que você pretendia dizer com aqueles versos. Não entendo versos e essas palavras que ficam bonitas fora de ordem. A casa tá fora de ordem. Tudo fora do lugar, mas eu não. Nada de tão novo que justifique a mudança; ainda não estou pintando. Mas estou decidida de que quero, sem querer. De que vou deixar vir, e traçar minhas metas, claro, aqueles planos não morreram. É que de repente, no meio do desespero, da zona, das roupas espalhadas, eu sorri.
Um queijo,
L.
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