terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Sem mais lero-lero

Aproveito a insônia e faço dela minha fuga, minha companhia, pra noite a dentro, a válvula de escape do sono, do sonho e de qualquer outro desvio do pensamento que possa me tirar da realidade. Hoje não quero pensar em mais nada, não quero saber da festa, do agito, do que aconteceu com você, com quem saiu, se saiu. Não quero pensar no que não acontece aqui, comigo, agora. Lunática, instável, incerta e ultimamente quase dramática, eu não nego. Mas peço licença a mim pra deixar repousar esse meu lado 'poeta do rímel borrado' que se aproveitou do egocentrismo, e das oportunidades que favoreciam a fragilidade, para se aponderar quase por completo de mim. Peço licença, menos por vontade e mais por educação, pra convocar o eu esquecido, a parte forte, apoiada em otimismo, cheia de vida e do agora. Mais o dia, mais o que der vontade. Chega de pensar no improvável, de vagar em pensamentos que terminam no travesseiro, da lágrima de dor inútil antes de pegar no sono e depois do sol nascer. É hora de se preocupar menos com o que estar por vir e menos ainda com qualquer coisa que independa de mim; é hora de fazer acontecer, de cuidar do que importa, de quem importa e fazer valer a pena. Estamos atrasados na atitude, na iniciativa, valorizar o que se sente, pensar no que se fala e falar o que se pensa. Não temos tempo a perder, e a hora é agora. Que a graça de 2010 venha mais renovada, que tudo de novo, o tanto de novo, que ganhei em um ano, se prove ainda melhor, de maneira diferente. O tempo é pouco pro tanto que quero e me nego perder os segundos que não forem pro meu bem. Digo boa noite antes do sol entrar e algum eco da realidade me revela que viver assim vale muito a pena, poeta sem rímel.

Um comentário:

  1. E se for com rímel E também sem rímel? Há tempo e momentos para ambos.

    Bjs
    Regina

    ps: pra variar, adorei o texto.

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