terça-feira, 28 de abril de 2015

28

a distância das palavras por aqui é quase sempre bom sinal de que você também não tá. e quando tudo anda tão calmo eu já nem sei se é porque tô perto demais de mim, ou longe demais de você. essa mania de ter que falar, de ocupar o espaço do ar com tanta bobagem, matando o silêncio de palavra em palavra. essa mania de ter que. de mudar a música, de encher o copo, de perder a hora pra evitar o que importa. é que silenciar sempre foi um perigo, porque é aí que a gente ouve tudo o que nunca foi capaz de dizer. é que nem cheiro de madeira queimada, sabe? ou vento gelado no rosto, ou folha de cipreste. me leva p'routros tempos. não é nostalgia barata. é coisa funda de quem não pára de ouvir, mas deixa a música correr.

Nenhum comentário:

Postar um comentário