sábado, 7 de março de 2015

Infinito recomeço

Se eu não te conhecesse diria que foi sempre assim
Porque a verdade é que o fim não passa de um ‘inda por vir
O fim não é a morte
O fim vive
em tudo que se esgota ao longo do dia
O fim vive
em mim e em você também
Na distância dos nossos corpos
Na cama que não dormimos
Nos cigarros perdidos
Em olhares não mantidos
Por entre
Pernas
Poros
Por
fim é o vício
na saudade
-do que não foi-
na falta
de sentido
-que não se sente-
Tá no vento de agosto
quando se está em março
Tá no chão de terra batida
-vermelha amarela quente-
que seu pé de menino não pisou
O fim tá no excesso(!)
-de roupa e fala e pano e medo-
que paraliza e mata de pouco em tanto
De vento em poupa
vamos nos findando
De resto, vida
Em ti, em nós

Tudo que move, fica

04 de fevereiro de 2015

Fiquei sabendo agora pouco, por uma dessas notificações aleatórias do facebook, que o João morreu. João não era o nome dele e o nome dele de verdade era uma das duas ou três coisas que eu sabia sobre ele. João não morava no meu continente, nunca nos vimos e só tivemos conhecimento da existência um do outro há uns meses atrás, por intermédio de um amigo em comum, que me disse que João poderia me dar boas dicas sobre o que eu estava procurando na época. Adicionei o João, ele me deu boas dicas mesmo e a última mensagem partiu dele. Era só uma pergunta, queria saber se tinha dado tudo certo. Eu não sabia se tinha e não respondi. De todas as coisas que eu não sabia sobre o João, sei que a pergunta foi sincera, desses interesses gratuitos, bonito de ver. Não falei isso pra ele -porque a gente quase nunca fala o que realmente importa. Bate agora esse sentimento esquisito de distância, que não precisa de dois continentes pra existir. Que encurtemos nossas distâncias, as de todos os dias. Tá tudo certo, João.