quinta-feira, 27 de junho de 2013

Adormeceres

Vem, me abraça forte, 
de você não vou saber
mais do pouco que sei?
Eu sei, é só medo 
de querer
de você, mais do que
eu podia ter
Os rabiscos ainda estão no quadro,
a sala, as cadeiras, a desordem da luz 
quando o sol te trazia
Mais um dia
Sem dizer o tanto
que guardo de gostar
de você.


sexta-feira, 7 de junho de 2013

Menina

Me sufoco em palavras que não saem. O que eu meu corpo pede é o respiro que ninguém pode dar, do ar que não existe em nenhum lugar, se não aqui. Dentro. O corpo que remói sentimento, cai a noite, mais uma noite, seguidas de tantas. A poesia nasce dela e morre com o dia. Com o esquecimento.  Com o bem que só de bem não me alimento. Busco nas cinzas, nas memórias frias, na canção que fazia dormir e me implorava pra não crescer, ser sempre o seu anjinho, quantas saudades eu vou ter. Vai ver crescer é um salto, um susto, o dia que nasce e a poesia que morre. Mas que pessimismo, menina. Ouça a canção que toca pra você. Just back into home. Porque tudo está aqui, aí, ardendo, queimando, você é fogo, cabelinho na venta, nariz que olha pro céu e esses olhos cinzentos? Da boca e do vento. Menina, você é bonita. Me dá um beijo e me faz de momento. Ninguém tem nada com isso, nada. nada. nada mar adentro, que o horizonte não é reto, nem é certo um só caminho.

O mar que vai

Frequentemente te desconheço.
Entre tantas coisas para não dizer, rompo o silêncio. Te falo. Te vejo. Nunca mais como te vi um dia. E a gente não precisa deixar o tempo passar, porque ele passa assim mesmo. O mar vai e areia fica. E o que é uma vida para todas as rochas que o vento desfez? Penso nas miudezas, nos bichinhos estranhos que vivem no breu, lá no fundo do mar. Somos também uns bichos estranhos. Sempre desviando das maneiras de amar. Muitas pessoas cruzam a rua e os dias poderiam ser diferentes. Não precisamos de tanto, além de tudo o que não temos. Tudo é pensamento, fragmentado e mal digerido entre um jantar e outro. Entre bom dia e como vai. Entre concreto e concreto. Te quero como sinto a música, só agora e nunca mais. Para sempre. 

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Notas

Algumas notas que me abrem a passagem de ar.

Um.
Não precisar dizer que está quando não está coisa nenhuma. Não está a paciência, nem eu tão pouco ciente das vias que vão nos guiando. Que vida estamos levando? Levar, eu levo o casaco para a noite fria do boteco aqui da esquina. O resto eu deixo por conta dela.

Dois.
A letra embolada turva a visão, ou a visão, já turva, faz da letra embolada?

Três.
Tenho sonhado muito e frequentemente me lembro de quase tudo. O sono é leve mas minha viagem, profunda. Vou lá em qualquer canto fantástico do inconsciente e resgato coisas bonitas, que vi - que vivi- em algum lugar não muito longe daqui.

Quatro.
Ficar a beira do caminho é não ir nem vir, deixar o cabelo apontar para a direção do vento.