terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Desconcerto
De quem só tem o ar, respiro fundo, trago a tinta p'ra escrita e desenho e traço, no espaço, as linhas do infinito. Busco, porque sempre buscamos, sem pressa, porque o tempo é nosso amigo. Amo como queria amar- será que dá?, sei que choro, e não entendo, o caminho, fim. Sei que a vida é sentida, e deveria ser mais. Estrada esquecida de tempo atrás. Fino hino dos heróis, retiro de amor, e paz. Tudo isso, esconderijo. Deles e de nós. Nossa luta é pela música (plena música?), pelo encontro no "deserto de almas", alguém já disse, cheio de gente. Nossa luta, plena gente. Quem nos dera a fantasia, trago o ar, cuspo agonia. Quem lhes desse só os olhos de quem vive todo dia. Nosso hino, soltas palavras, p'ra quem tem memória fraca, "the touch of your love, makes my heart yours", ou algo por aí.
sábado, 24 de dezembro de 2011
Pollyanna
Ponta de lápis feito ponta de faca,
feito língua afiada
que não mede palavras
Boneca de porcelana,
que cantos tem cantado?
O que foi que te disseram?
Esqueceste assim tão fácil?
Faz da voz, antigo riso,
palacete de nós bobos
Abra a porta, e os ouvidos,
Deixe o ódio lá p'ros outros
No teu peito
tão pequeno
sei que tem tão mais espaço
cabe eu, o céu, o mundo
cabem todos os abraços
feito língua afiada
que não mede palavras
Boneca de porcelana,
que cantos tem cantado?
O que foi que te disseram?
Esqueceste assim tão fácil?
Faz da voz, antigo riso,
palacete de nós bobos
Abra a porta, e os ouvidos,
Deixe o ódio lá p'ros outros
No teu peito
tão pequeno
sei que tem tão mais espaço
cabe eu, o céu, o mundo
cabem todos os abraços
sábado, 10 de dezembro de 2011
Entre a Vela e o Vento
“Parabéns pra vo-cê”
- FALA MAIS ALTO, ou chega mais perto. Assim não te escuto.
- Só SuSSurro, Sou aSSim.
- COMO É? FALA MAIS ALTO! Isso que dá ficar aí fora, vagando sozinho, dia e noite, noite e dia. Credo. É pra pirar qualquer um, não é não?
- …SSSS…
- HEIN?! FALA PRA FORA! Sopra com força, abre essa janela! Você é um vento ou uma brisa?!
- Você é pavio curto.
“nessa da-ta que-ri-da”
- Não te vejo, não te sinto, e o que ouço é tão pouco, que tá mais pra voz da consciência. Como sei que você existe?!
- Pirado fica, quem fica em cima do bolo.
“muitas fe-li-ci-da-des”
- Alto lá! Em cima não, NO TOPO. Cercada de gente e de aplausos. Os anos passam e eu continuo aqui, acesa, esbelta, adorada!
- Seu ano é um dia.
- Todo dia é um ano, e todo ano é festa. Você tá é com inveja. Mas não enquenta não, que a culpa não é tua.
- Não esquento, só esfrio.
"Muitos a-nos de vi-da!"
- Você não fala coisa com coisa, hein! Parece que tá sempre perdido! Mas é isso, sina de vento é diferente.
- Assopra, faz um pedido!
-
Agora sim! Agora te escuto. Cada vez mais alto! Cada vez…mais…perto.
- FALA MAIS ALTO, ou chega mais perto. Assim não te escuto.
- Só SuSSurro, Sou aSSim.
- COMO É? FALA MAIS ALTO! Isso que dá ficar aí fora, vagando sozinho, dia e noite, noite e dia. Credo. É pra pirar qualquer um, não é não?
- …SSSS…
- HEIN?! FALA PRA FORA! Sopra com força, abre essa janela! Você é um vento ou uma brisa?!
- Você é pavio curto.
“nessa da-ta que-ri-da”
- Não te vejo, não te sinto, e o que ouço é tão pouco, que tá mais pra voz da consciência. Como sei que você existe?!
- Pirado fica, quem fica em cima do bolo.
“muitas fe-li-ci-da-des”
- Alto lá! Em cima não, NO TOPO. Cercada de gente e de aplausos. Os anos passam e eu continuo aqui, acesa, esbelta, adorada!
- Seu ano é um dia.
- Todo dia é um ano, e todo ano é festa. Você tá é com inveja. Mas não enquenta não, que a culpa não é tua.
- Não esquento, só esfrio.
"Muitos a-nos de vi-da!"
- Você não fala coisa com coisa, hein! Parece que tá sempre perdido! Mas é isso, sina de vento é diferente.
- Assopra, faz um pedido!
-
Agora sim! Agora te escuto. Cada vez mais alto! Cada vez…mais…perto.
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