Um dia acordei de mau jeito, com fobia do dizer
Um dia o homem da vila saiu para o bar
Sentou na calçada,
pediu a cachaça,
sorriu pra mulata, chamou pra sambar
pediu a cachaça,
sorriu pra mulata, chamou pra sambar
Um dia o doido sentiu, no peito, uma fisgada
Da janela, gritou o nome dela
Desceu as escadas,
Confessou amor e mais nada
Um dia a esquina
Cansou de seguirDesceu as escadas,
Confessou amor e mais nada
Um dia a esquina
Dobrou a avenida
Brigou com a rua
E continua a irUm dia o dono
Não quis mais vender
Ligou para o filhoAmigo, neto, bisneto
Que não viu crescerUm dia o boi
Não quis mais pastarIsolou-se do gado
partiu para o mato
Deixou o sertão p'ra lá
Um dia as palavras
Decidiram não sair,
é greve!
Escondidas do mundo
Ninguém mais quer ouvir
Lindo demais! Viva a imprevisibilidade da vida! <3
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