quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Um dia muda

Um dia acordei de mau jeito, com fobia do dizer

Um dia o homem da vila saiu para o bar
Sentou na calçada,
pediu a cachaça,
sorriu pra mulata, chamou pra sambar

Um dia o doido sentiu, no peito, uma fisgada
Da janela, gritou o nome dela
Desceu as escadas,
Confessou amor e mais nada

Um dia a esquina
Cansou de seguir
Dobrou a avenida
Brigou com a rua
E continua a ir

Um dia o dono
Não quis mais vender
Ligou para o filho
Amigo, neto, bisneto
Que não viu crescer

Um dia o boi
Não quis mais pastar
Isolou-se do gado
partiu para o mato
Deixou o sertão p'ra lá

Um dia as palavras
Decidiram não sair,
é greve!
Escondidas do mundo
Ninguém mais quer ouvir

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