sexta-feira, 12 de março de 2010

Espirro de moinho

Dança esquecida, quem se lembra?
Mergulho cego, ao fundo,
distância do mundo, desmaio do ego.
Terra-mar, ilhada em pensamentos,
somos migalhas embaladas pelo vento, invisíveis.
Invencíveis?
Somos farelo, elo perdido de tudo o que fingimos não ser.
Somos dó e ré, em perfeita melodia, sem pena de olhar para trás.
Palavras escondidas, vãs, previamente lidas por olhos de outras vidas sãs.
Buscas o que mais?
Somos e só somos.
Pares de destinos, lançados no moinho de ilusões,
entregues ao sopro que, por frações de segundo,
adormece o mundo e nos torna campeões.
Um espirro e basta.
O vento arrasta pelos mares vastos
todo acúmulo de segredos, sentidos
memórias e medos a pairar pelo ar
na espera, quem sabe mera,
de um moinho a espirrar.
E então, o que somos?

3 comentários:

  1. Acho que não somos, ou, se somos, somos essa eterna pergunta, provavelmente...
    Genial, minha querida, me pergunto como você consegue fazer as palavras se encaixarem tão bem; ah, é claro, o SEU dom! Você consegue colocar tudo o que eu mesma penso sobre as coisas no papel e me faz embarcar totalmente nessa viagem de devaneios...
    Sabe que eu sinto um orgulho imenso de você e sou muito sortuda por poder acompanhar de perto esse seu crescimento, avanço de pensamento, acúmulo de talento e tanto mais...
    Está na hora de pararmos de perguntar a nós mesmas o que somos e sermos quem somos e até quem não somos! Mas, aí, onde entra a poesia?!...
    Amo tu, tchotchovisk...até...

    Mil desculpas por essa baboseira doida, mas são 3 horas da manhã e eu me acabei de chorar vendo um romance daqueles bem dramáticos e originais (garoto ama garota, mas é um babaca, garota muda garoto, mas ela fica insegura, enfim...), aí já sabe, estou em processo de reflexão total. É, então, desculpa!

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  2. Somos inquietos!

    Ao menos isso se exibe em nós nesta busca incessante sobre nossa essência, se é que esta, de fato, existe.

    =)

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