domingo, 28 de março de 2010

Adeus você, minha cura oficializada

Não sumi, apenas nunca estive lá. Me afastei pra me buscar porque, embora fosse muito você, sempre havia sido mais eu. Me afastei porque não fazia sentido, não fazia futuro, só fazia besteira. Fui tola, cega e muda, quando não devia ser. Calei quando devia falar, sorri quando queria gritar, segui direitinho um jogo que não existia, que você criou, frio e calculista, bem típico de você. Fui covarde na minha fuga tardia, fajuta, pra poder me poupar, porque a verdade é que você me fazia mal; Ferida que doía, e eu sentia, extremamente prejudicial à minha saúde. Ai, se meu médico soubesse. Fugi porque cansei de estar, do mal estar de estar com você. Me afastei porque, como bem diz Martha Medeiros, "ausentar-se é risco", e qualquer tentativa era válida. Hoje sou ausente, com caráter de risco cumprido, e você? Você é alguém bem menos bonito. É um sorriso sem dono e carinho de muitas. Você é papo, é passado, é trama confusa que não faz mais sentido. É gênero alterado, romance, drama, terror e comédia. Você é a média que tanto gosta de fazer. Você já foi tudo e hoje é quase nada. E quando me fala da falta, é uma falta enganada porque quando achamos que me tinhas, eu que não era nada. Me afastei por forçar uma vontade inexistente, que hoje é o presente. Me afastei e minto quando culpo o trabalho, a velhice precoce ou a falta de tempo. Me afastei, sim, mas me afastei porque prefiro ser ausente pra você do que ser ausente de mim.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Espirro de moinho

Dança esquecida, quem se lembra?
Mergulho cego, ao fundo,
distância do mundo, desmaio do ego.
Terra-mar, ilhada em pensamentos,
somos migalhas embaladas pelo vento, invisíveis.
Invencíveis?
Somos farelo, elo perdido de tudo o que fingimos não ser.
Somos dó e ré, em perfeita melodia, sem pena de olhar para trás.
Palavras escondidas, vãs, previamente lidas por olhos de outras vidas sãs.
Buscas o que mais?
Somos e só somos.
Pares de destinos, lançados no moinho de ilusões,
entregues ao sopro que, por frações de segundo,
adormece o mundo e nos torna campeões.
Um espirro e basta.
O vento arrasta pelos mares vastos
todo acúmulo de segredos, sentidos
memórias e medos a pairar pelo ar
na espera, quem sabe mera,
de um moinho a espirrar.
E então, o que somos?