quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Teletransporte

Lembre-me depois. Não, melhor: Deixe-me esquecer. Fecho os olhos e faço meu próprio silêncio; Tampo os ouvidos e vejo um novo cenário, diferente desse ambiente tão excessivamente ambientado. Ocorre então a inversão dos sentidos, a mudança pela qual anseio a cada instante como esse. O zumbido de vozes, tão excessivamente conhecidas, vai se afastando, ganhando distância e perdendo intensidade, enquanto a chuva, figurante especial dessa noite, escapa de seu papel secundário e cresce: Molhando pra valer, se fazendo notar, dominando a cena principal com raios, trovões e ventanias. E eu me entrego, assim como ela, aos poucos. Aguço os sentidos e deixo vazar os pensamentos, a raiva, o impulso. Ah, ele não consegue se conter? Então que se vá, que se vá com as vozes para algum lugar escondido, longe de mim, não quero esta necessidade de discussão. Que chegue a chuva, que venha a música e todo seu silêncio, deixe que eles entrem. E de repente, há, me transporto...fui. Essa mínima liberdade é o que me faz tão bem, meu passaporte universal sem prazo de validade.
Mas é importante voltar, e voltamos sem perceber, já acostumados com o novo- até quando?- lugar. A mudança em mim já me conforta e estou pronta para retornar, iniciando o fim da pausa. Começo então a diminuir a música- pra onde ela vai quando termina?- e a chuva me acompanha, diminuindo também, voltando assim como veio, devagar. E deixo o pensamento se aquietar, o impulso já se foi. Destampo meus ouvidos, ouço as vozes conhecidas, tão excessivamente especiais. Abro os olhos e, ufa, estou em casa.

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