segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Pedra dá passagem

Peguei minha bike e fui direto pela Orla. A neblina era tanta e tão baixa que dava a ilusão de um Arpoador sem pedra. Pedalei, pedalei, pedalei. Pedalei com a vontade dos amantes que dão o último beijo e da criança que não quer dormir nunca para não parar de brincar jamais. Pedalei tanto que fiz até ventar e a pedra apareceu, agora mais perto. Soltava as mãos do guidon, sem me lembrar de quando foi que aprendi a fazer isso. Subi na pedra e fiquei por lá, tentando lembrar um tanto de coisa sem começo, um tanto de outras sem fim. Acho que deve ser assim que os velhinhos se sentem um pouco a cada dia. Ouvi o mar bater na pedra, como tantas outras vezes ao longo desses quatro anos, mas diferente. Não tinha sol, nem calor, nem céu azul, e eu me arrependi de não ter ido de biquíni. Um filme passou na cabeça, riso e choro, aperto no fundo e no raso da alma, sabe? Nada melhor do que um dia branco pra sentir a liberdade. E como o sentir é passageiro, entrei no mar, só para deixá-lo por lá. Com a impressão de, a cada mergulho futuro, poder trazê-lo de volta.

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