Vago. Do nada para o nada, como fantasmas que dançam -
aparecem. E desmancham-se-
do início ao fim do filme.
Vago, todo entendimento humano
a mosca que pousa na sopa
o retalho de três panos
a barriga que respira
já um sono de criança
Vaga, a sorte que me sopra
devaneios e lembranças
Vaga morte logo brota
e renascem os instantes
Vago as dores
Vagas carnes
Vago os músculos que contraem-em
riso pranto amores um tanto
de odores espantos me fazem sonhar
Vagos lugares
em terra de cruzes
a vista
tão vaga não posso enxergar
Vagos lugares
minas, milhares
a ilha
distante onde quero abarcar
Vago o sangue
vagas hemácias
vagas moléculas
excretas, me vago.
me esvaio
me vou
me vai
me vem,
ainda que vago
um bocado de ninguém.
sexta-feira, 12 de abril de 2013
quinta-feira, 11 de abril de 2013
Salto não dado
Expurgo os fantasmas. Quando já não encontro as palavras, expurgo os fantasmas. Águo algo oco que vem de dentro e transborda, amarra meus pés como a corda que enforca e liberta. Me faço aberta, assim, só de quando em quando. Sou, então, o rastro que traço nessa terra, minério, áspera matéria. Um corpo que se arrasta, mas as rédeas estão soltas. Quem me guia? Fecho os olhos e me vem a imagem: não mais a estrada, o chão, essa terra mapeada. O azul. Luz que pinta os olhos, cor de um mundo só. são. não sou. A estrada continua, para onde vou? O tempo não foi feito para a pausa, o tempo, este bem e mal criado, nosso rei e nosso escravo, não foi feito para o amor. A memória me retalha em fragmentos: mãos compridas, um prato, a praça em ruínas e o terraço, o corte, a morte, meu vínculo e um laço, em ondas, a espuma, teus cabelos, enrolados. Eis que não demos o que podíamos. Eis que tínhamos: corpo, gestos e os joelhos flexionados. As palmas das mãos unidas apontando para baixo, lá, onde as vozes gritam, imploram pelo salto. Mas o cérebro falou mais alto e, como o médico que poupa o descanso aguardado, poupou-me do mergulho, minha válvula de escape. Os gritos continuam lá embaixo. Os gritos e todo o resto inesperado: tudo aquilo o que não fiz, o que não fui e não fomos, tudo por questões insanas chamada juízo e realidade.
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terça-feira, 2 de abril de 2013
Epifania
De tudo o que me vem
e p'ra tudo que me vai
um respiro
momento suspenso
na imensidão do tempo
o poeta e a montanha
o poeta e o amor
o poeta e o abismo
de tudo o que me foi.
e p'ra tudo que me vai
um respiro
momento suspenso
na imensidão do tempo
o poeta e a montanha
o poeta e o amor
o poeta e o abismo
de tudo o que me foi.
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