É que ao se olhar no espelho, viu outra coisa que não ela. Em olheiras mal dormidas, fios de cabelos embaraçados, pinta no queixo e espinha na testa, uma estranha a encarava. Olhos nos olhos. Intrigada.
Mas que diabos fazem os espelhos com a gente?
E ela aceitou o desafio. Olhos nos olhos, ela e ela mesma. O que você tem pra me dizer? Queria ver quem desviava primeiro. E ficou ali, observando. Arregalava os olhos. Já tiveram dias de mais brilho. Se lembrou de um dia de muito sol, em que um estranho lhe elogiou os olhos verdes. Seus olhos eram castanhos. Escuros. Desse dia em diante, via sempre pigmentos na íris: verdes, cinzas, amarelos, violetas. Moça dos olhos coloridos. Mas ali, naquela manhã, lhe encarava uma mulher, de olhos pretos.
Ouviu um sussurro, o tictac do relógio. O vento, o tempo e o espelho, como há milênios atrás.
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