Nada foi dito.
Só não permita que também as palavras
- o meu peito, minhas aspas, a vontade louca que me escapa-
cedam à boa educação, bom dia.
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Espelho
É que ao se olhar no espelho, viu outra coisa que não ela. Em olheiras mal dormidas, fios de cabelos embaraçados, pinta no queixo e espinha na testa, uma estranha a encarava. Olhos nos olhos. Intrigada.
Mas que diabos fazem os espelhos com a gente?
E ela aceitou o desafio. Olhos nos olhos, ela e ela mesma. O que você tem pra me dizer? Queria ver quem desviava primeiro. E ficou ali, observando. Arregalava os olhos. Já tiveram dias de mais brilho. Se lembrou de um dia de muito sol, em que um estranho lhe elogiou os olhos verdes. Seus olhos eram castanhos. Escuros. Desse dia em diante, via sempre pigmentos na íris: verdes, cinzas, amarelos, violetas. Moça dos olhos coloridos. Mas ali, naquela manhã, lhe encarava uma mulher, de olhos pretos.
Ouviu um sussurro, o tictac do relógio. O vento, o tempo e o espelho, como há milênios atrás.
Mas que diabos fazem os espelhos com a gente?
E ela aceitou o desafio. Olhos nos olhos, ela e ela mesma. O que você tem pra me dizer? Queria ver quem desviava primeiro. E ficou ali, observando. Arregalava os olhos. Já tiveram dias de mais brilho. Se lembrou de um dia de muito sol, em que um estranho lhe elogiou os olhos verdes. Seus olhos eram castanhos. Escuros. Desse dia em diante, via sempre pigmentos na íris: verdes, cinzas, amarelos, violetas. Moça dos olhos coloridos. Mas ali, naquela manhã, lhe encarava uma mulher, de olhos pretos.
Ouviu um sussurro, o tictac do relógio. O vento, o tempo e o espelho, como há milênios atrás.
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Pensamento de outubro, número um.
Às vezes penso que se nos entendêssemos a fundo, perderíamos o dom de não nos vermos tão de perto.
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
De escorpião
Um dia um escorpião me disse que eu era como ele. Não traiçoeira, cheia dos ferrões, apesar de apostar em alguns. Me disse que ele não tem ossos. E que tudo o que o sustentava eram suas cascas, fortes e externas, que revestiam seu corpo mole e o protegia dos predadores. Mas, ele contou, elas não eram fixas e, por mais aconchegantes que fossem, não podiam acompanhá-lo por muito tempo. À medida em que crescia, elas precisavam ser abandonadas. E nesse período, da troca das cascas, o escorpião se escondia. E crescia. E crescia ele e nascia outra casca. E só então ele voltava. Maior, mudado, até a próxima troca.
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