É engraçado. Pedro diz que nada disso importa. Que o pensamento é cego, surdo, mudo e tímido. Ninguém repara. Pedro diz que tanto faz a música. Do que importa a dança se não temos palco? E que todas que dancei sozinha, no meio da sala, no escuro do quarto, no deserto de areia, perderam-se antes mesmo de começar. Pedro diz que sou treteira. Que não me mostro a olhos outros. E que mesmo quando pulo, grito e falo, me disfarço muito bem. Pedro diz que isso é bobagem. Ele aposta que gostariam mais de mim do outro jeito. Pedro me vê há muitas léguas. Entre cavalos e bambus, ciprestes e outras coisas que não prestam tanto assim. Pedro vê, Pedro aposta, Pedro diz muita coisa. Mas eu quase não escuto.
Nenhum comentário:
Postar um comentário