quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Outras doses


Perco a dosagem. Querendo ser um eu completo, confundo sorriso com sinceridade. Querendo ser um eu, que sei, ri à vontade, esqueço que tristeza também é verdade. Peço redenção, mas, mais uma vez, doso demasiado: recolho-me à casca e o mundo que se mostre. Longe, lá fora. E a política e a guerra, entre povos que não sei o nome. E a fome. Longe. Mas, perto, o corpo reclama. É uma questão de alma. E querendo ser um eu pacato, me vejo agora já ilhado -A quantas, me diga, a Terra tem girado?

E querendo ser um eu astuto, uno forças e fujo. Quebro a casca e penso: que a vida é não pensar. Aqui fora o tempo é curto, sem espaço pra sonhar. Volto à tona com vontade. E, querendo ser um eu maduro, torno-me um mim ignorante. Desrespeito o importante, que só tinha amor pra dar.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Semente ansiedade

Silencio e me liberto
ao me ver nos olhos teus.
Ao menos aqui, no quarto, na cama, no caderno, nada escondo.
Ao menos aqui, no instante escuro - constante e finito.
Mais um dia pós dia se pôs.  E qual dos ganhos tive?
Um oi. Um dado. Um verso rimado. Sorte?
Um botão arrancado.

Anseio que sinto, estende e explode.
E as sementes voam longe!


quinta-feira, 9 de agosto de 2012

De volta ao eixo

Deixo [a caneta
           para
           sangrar
           a dor]

Deixo a caneta. Deixo para. Deixo sangrar. Deixo a dor.

TPM

Tô pra te escrever alguma coisa, mas não sai nada.  O que quero é só vontade, bobagem, que não sai em papel. O que fica no peito e não tem esboço. Da vida, eu sei lá. O que faço? Sinto! Sinto apertar a alma quando um tanto de vezes. E nem no mais alto grito alcanço o soluço. Que as coisas são belas  quando a gente não tem tempo. E isso não tem nada comigo e contigo. Talvez tenha um pouco. Um pouco de mim. de você. de tpm. O que não tira o peso de nada, pelo contrário.