quarta-feira, 27 de junho de 2012

O peso de 21 verões

Esses dias, por instantes, acordei e pensei sentir o peso da idade. O peso de 21 verões.Não riam de mim os mais velhos, pois não importa que sejam 20 ou 80, a idade pode pesar em qualquer um que perceba o fim de qualquer coisa que se aproxima. Qualquer coisa mesmo: trabalho, faculdade, amor, amizade, sutiã furado ou sapato gasto. É como um brinquedo antigo que muito se usou mas, porque precisamos seguir e precisamos crescer e -no fundo sabemos- não precisamos mais dele, resolvemos um dia desempoeirar e doar para uma criança que fará melhor uso.
Não é tanto o que se foi, mas mais: o que estar por vir. O peso do querer. Querer expandir, querer conhecer, querer pegar estrada a fora para qualquer sol que não se esconda. Chega a doer as costas. Só de pensar no peso de passar tardes em máquinas, restrita a um percurso que de tão visto, a gente nem percebe mais. O peso pesado de se acostumar, se encostar e ficar, só porque assim é como é. é como é? E como é ser? Isso não é pergunta p'ra gente sã, cidadã e sem tempo. Ser deve ser mais. 
Outro dia, busquei uma foto do Atacama. Isso, o deserto. E fiquei imaginando a paz e o tédio que pode ser aquele lugar. E pensei em como eu tenho vontade de conhecer o silêncio e o céu de lá. E o Atacama, em uma tarde barulhenta de segunda-feira, pesou.
Quero aprender a tocar xequerê e no violão, pelo menos, qualquer coisa de Gil e Caetano. Quero ser arteira, fazer xilogravuras e serigrafias e testar tintas, tecidos e materiais. Quero a dança, o yoga e a fotografia. Quero os filmes e as palavras. Cachoeira, praia e montanha. Quero os amigos por perto e um canto de todo o mundo. Quero não parar um segundo. E parar muito.
Peso que traz p'ro chão, traz pro dia, a abstração e a alegria de deixar esquecer.
Leve que me empurra, traz na pele, a vivência e a consciência de que o peso, ainda assim, continuará em mim.

domingo, 17 de junho de 2012

Da cidade

Basta um botão para disparar o tempo,
que nas veias
dos fios
das redes
das teias
dos fluxos de gente
pulsa doente razão

Basta um botão para entupir a mente
de nomes
de marcas
de metas
de meras
cruas certezas que esvaziam o coração

Sentido, esqueci na Bahia
Deixei na areia
E o mar levou

ô, regido
ruído
raios da manhã

à, noite cai
manto negro
estrelado
novato 
aos olhos da cidadã

sábado, 16 de junho de 2012

desaba.fo

queria inscrever mais o outro o que cuspo em palavras.mas cuspir nunca é educado.então deixo assim mesmo, sem regra, sem sujeito ou predicado.que não sirva para venda, mas que seja um desabafo.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

João alguém

João pede mais
que pão na mesa
que pinga no copo
que berro no vão

João pede Maria
pede Antônia
pede sim
e pede não

João pede
mas não espera
ele tenta
ele quer

João é figurinha
fácil no álbum
de muita mulher

João nasce
e se põe
e também João
se cansa

João se perde
em sonhos
em tantos
encantos

João quer cigarro
João quer beijo
João que festejo
Mas João se esquece

João também chora
quando são seis horas