quarta-feira, 25 de abril de 2012

Dos outros o que não passa

E quando era eu só
o tempo era outro.
A casa era outra.
Jardim, vizinho, presente,
eram outros.
Até o amor.
Principalmente o amor, era sempre outro.

O riso, porém,
de um peito meu, mais de ninguém,
por vezes ainda me escapa em tom
de eternidade.

De sempre.
Quando...

De noites cheias de silêncio
De dias vazios em notícias
De gente que se faz ausente
De mundo que se lê em poesia

De ciprestes que lembram o frio
de tardes e árvores
onde a gente se escondia
De cheiro,
De gosto,
De tato
Nasce e morre o dia.

O dia que passa
como passam
os malabares
pelos carros que passam
sob as nuvens que passam
sobre homens e mulheres
outros também passam.

O riso, porém,
de um peito meu, mais de ninguém,
por vezes ainda me escapa em tom
de eternidade.










quarta-feira, 11 de abril de 2012

Qualqueres

A merda é ser qualquer. Qualquer palavra, qualquer rima, qualquer letra, qualquer traço, qualquer maço, qualquer trabalho, qualquer beijo ou dia qualquer. Dos diabos que nascem do tédio, o pior de todos é o consentimento. Empreitar-se na rotina, sem vida, sem sede, sem fome, alheio à escolha. Alheio a nós. Porque nem sempre fomos assim e, se alguém nos percebeu quando o éramos, nada nos disseram. E, se os dias se arrastam de repente, qual terá sido a manhã qualquer em que perdeu-se a graça? A força? A raça, Maria? "é preciso... manha/ graça/ sonho, sempre". Por isso, se a palavra não sai ou a foto não vem, se a ideia some e a paixão também, penso que é hoje. É hoje o dia qualquer. Deito, durmo, descanso, sonho para acordar diferente, mais raça, mais graça, mais manha para driblar os 'qualqueres' da vida.