terça-feira, 31 de março de 2009

Homem Macaco

Era só uma poeira. Um significante nada (ou seria um insignificante tudo?) em meio a universo imensuravelmente maior do que aquele em que costumava viver. Era uma época em que o silêncio ainda narrava a história e o desconhecido era o maior de todos os seus medos. Viviam em bando mas aposto que tinham lá suas desavenças. Não exigiam muito da natureza senão bananas, árvores e galhos- Não sei se tinha esse lance de cada um no seu. Provelmente não-a genética não falha! Enfim, levavam a vida assim, de galho em galho, macaco com macaco, catando piolho e comendo banana. Analisando do futuro, uma vida besta, mas a única que tinham. Também, pudera! Eram apenas macacos...

É só uma poeira. Um insignificante nada (ou seria um insignificante tudo?) em meio a universo imensuravelmente maior do que aquele em que costuma viver. O silêncio não mais narra a história mas o desconhecido continua sendo o maior de todos os seus medos. Vivem em bando e quem dera tivessem apenas desavenças. Com um raciocínio sem igual e dono do cérebro mais desenvolvido da Terra- grande e único universo em que cotuma viver-, o homem é incansável. Não cansa de queimar, devastar e destruir toda a natureza, que hoje lhe parece servir de velho cenário -um cenário muito útil, é verdade- para a transformação de sua vida. Não, o homem não cansa de buscar o progresso, a riqueza e o poder. É preciso ter poder para viver em seu pequeno grande universo. Suas longas vidas- setenta e poucos anos em média?- não podem ser simplesmente vividas. E não são. Nessa busca desesperada pelo progresso, os protagonistas do mundo alcançam respostas óbvias para qualquer catador de piolhos. Pobres, homens! Poupam tanta energia para sobreviver- pensam, articulam, roubam, matam- que já devem estar cansados de mais para viver. Analisando do presente, uma sobrevivência besta, a única vida que teem. Também, pudera! São apenas macacos...

segunda-feira, 23 de março de 2009

Estranho conhecido

Há muito em nós que beira o desconhecido. Aprendi a dividir o nosso 'eu' em quatro partes: A primeira é aquela cuja a grande maioria das pessoas vê. É o aparente, a resposta rápida e resumida de nossa personalidade, paisagem dos desconhecidos, explorada por nós. A segunda, conhecemos pouco. É a parte de nós que só é auto-reconhecida quando um outro alguém, de fora, nos mostra, nos aponta. A terceira parte, claro, é a que nos protege, guarda nossos segredos de qualquer um, parte do 'eu' invisível aos olhos de qualquer outro que não seja você próprio. A última e mais intrigante parte, não sei bem ao certo. Nem eu, nem você, nem mais ninguém. É a parte de nós reservada ao infinito, ao mistério que nos circunda, a todo o desconhecido. E, de certa forma, é confortante saber que dela, pelo menos dela, ninguém nada pode dizer. Talvez não se revele nunca e, por isso, não seja percebida. Talvez nosso mistério particular, indecifrado por nós, se revele a cada dia, em pequenos detalhes. Quem sabe se, com mais sutileza, menos barulho e maior atenção, não reparemos em nós alguma mudança, algo novo, um sentimento, um ato, um fato, com outra dimensão. Quem sabe não seja o tempo o nosso quarto observador. Além de nós, de você, de mim, o TEMPO. Talvez seja ele a nos revelar e criar, ao longo dele mesmo, outros mistérios a mais.