terça-feira, 27 de outubro de 2015

o que importa

cuidar e lamber as próprias feridas
que só a saliva salva
viver bicho solto, deixar ir o que já não tá mais aqui
que nada nem ninguém merece tanto minhas raivas
-a dor que fortalece
faz da coragem vontade
que tem vida demais por aí.



quinta-feira, 22 de outubro de 2015

frustrações contemporâneas

1.
não gosto do jeito como as letras digitadas inspiram civilidade
é impossível estar puto num teclado
ohasdjiadoap´xkqwjihcoajcspkó
como se grita em Times New Roman?
não sei brigar em Arial
não tem Verdana que traduza o que minhas letras tortas
o que meu traço forte
caneta furando papel
não tem verdana que traduza meu rabisco
é impossível estar puto num teclado
E o CAPSLOCK é um equívoco GIGANTE
-porque ser grande é o oposto de tudo isso que sinto por você agora.
Estar puto num teclado é o pleonasmo da desordem,
pkawefnaerpojfwpajérgjper´verifjpejpvewko´fekvjfe!!!

NAS LETRAS ESCRITAS TUDO O QUE NÃO GOSTO GRITA.


sábado, 17 de outubro de 2015

17 de outubro

Em cem anos estaremos todos mortos. Até essa mulher que atravessa a rua, Será que um grama do veneno da aranha marrom ainda valerá 25 mil dólares? Os pinguins continuarão sendo criaturas incríveis e a migração dos esquimós talvez tenha mais a ver com a vida do que com a morte. O pescador, véi sabido da Amazônia, vai mais do que nunca reconhecer o tamanho do peixe só pela boiada. Da alfarrobeira não se sabe o destino mas a origem está fadada a eternidade: pra sempre uma árvore selvagem da costa do mediterrâneo, ainda que os japoneses façam delas brotar kiwis. As raízes -e os escritos- tem desse preciosismo, as palavras não dormem nunca.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

06 de outubro

Na parede
o espelho redondo quebrado, a cor rosa claro e palavras que gritam "gratidão é o caralho".
Acordei sem saber onde estava. O olho abriu e um universo inteiro se perdeu. Do que se trata a perda?
É impressionante o zunido rodopiado que duas hélices são capazes de fazer. A luz branca do dia anuventado -de nuvem e sem vento. Os barulhos das coisas que acordam aos poucos; portas batendo, louças em louças, água em louças, louças na mesa, esse cheiro de café. E os pássaros -que vêm sempre primeiro.
Do que se tratam as coisas que acordam?
Se toda essa luz não fosse ressaca e só outro sonho, ainda não despertado, de três dias atrás
Eu abriria os olhos e aquele amor, velho e cabível, feito as camisas -que tanto gosto- que já tem forma de corpo e bolinhas gastadas boas de cutucar,
ainda caberia.
Se ainda me coubesse. Se a gente ainda se vestisse
abrir os olhos seria apenas questão de costume.
Mas os pássaros vêm sempre primeiro.