terça-feira, 30 de julho de 2013

30.

O dedo e o vício

-nas mesmas palavras

A mente e o vício

-na fala apressada

A noite é o início

-de tudo que cala


Demais. Nas notas noturnas, só Charles, anjo 45, fala.
Como é que é, my friend Charles? Como vão as coisas chartas?























quarta-feira, 10 de julho de 2013

Passantes

Rua cheia, Hoje é dia, O dia em que as coisas acontecem, O dia da urgência, sem amanhã, que é o que mais se aproxima dos (bons) romances já lidos, O minuto que, não podendo esperar o seguinte, nos conduz à sua frente, para  fora do tempo dos relógios, para além das amenidades corriqueiras, E é nesse instante de pressa, de instinto, de vontade, que eu te encaro nos olhos. E aí. E aí vem os pontos. As pausas. Os passantes que passam os dias que lhe esperam. Os dias que? Perdão. Os dias não esperam, a gente é que vive esperando. Não é isso? Remediando um tempo que. Perdão. O tempo não tem cura. A gente é que vive matando. A gente. Na fila, no banco, no trânsito, nos pontos de ônibus, nas esquinas que cruzamos, no descaso que acostumamos, salários, sorrisos, orgasmos, respostas de tantos. A gente vive esperando. A gente. A rua tá cheia. E eu não te vejo mais.

domingo, 7 de julho de 2013

Se

Minha coluna curva
foram os dias quem fizeram
E nada aqui lembra você.
Feitos de "se", nada fizemos
era só parar o tempo
numa noite qualquer
Estender o momento,
Fazê-la de vida inteira,
mulher.