O que em ninguém cabe é o que se esconde.
Todo o resto, que não é excesso, mas falta.
Falta, mas não se perde, porque está escondido entre quem é o que é, e não se deixa não ser.
Entre quem vive só um mundo, externo, visível, declarado. O escondido está no risível. Disfarçado entre um gesto e outro de verdade, entre um solo e outro de guitarra, entre olhares que falam nos segundos do tempo. Quando, pelo acaso ou consciência, topo com esse mundo desencontrado, me sinto não sendo, e só aí sou por completo.
Quando não pertenço, quando estoura o clarão de entendimento, quando não e sim se ausentam.
Sou pelo breve dos momentos em que tudo faz sentido, e se torna tão pequeno. Quando a vida- mentida, mantida de todos os dias- é mais do que poesia, e tão quão, muito mais do que damos a ela chance de ser. Quando o menino tem o que comer, quando o amor não é desculpa para sofrer. Quando, entre engulhos, mergulho ao íntimo do que nunca foi dito, e, sendo o que não sou, vago entre mundos. E volto.
Liberto o pensamento no labirinto regrado e torço para que ele escape. Espalho pela calçada acimentada minhas pegadas invisíveis- que corram para o mundo! Lanço na multidão meu grito calado, com todas as palavras, não tão bonitas, e toda a esperança, tão vívida, de imigrante perdido, descobrindo os cantos de todo o resto escondido.
Como é bonito não ser.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Trevo
Vem ver o verde
em que vive
o vão
o vão entre ver e vir
é o verde
do viver
Vive vão
o verde que vem
e não é visto
Isto! Verão? Vem viver o verde que o mundo (não) vê.
em que vive
o vão
o vão entre ver e vir
é o verde
do viver
Vive vão
o verde que vem
e não é visto
Isto! Verão? Vem viver o verde que o mundo (não) vê.
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Ponto e vírgula
Pára, não adianta mais. Não por mim, nem por você. Não pelo que temos, mas por tudo que nem chegou a ser. Ser e ter. Seremos? O que temos? Não somos pela falta. E o que nos falta é o absurdo dos detalhes - os detalhes! Pequenos que nos tornariam grande. Mas ninguém vê. Talvez você saiba. Talvez você saiba da vontade de só ser. E ser só nessas pequenas coisas, nos menores dos momentos. Qual o mistério? Não sabemos. E aos pouquinhos, em pequenas doses, como tudo o que temos, vamos nos perdendo. Até um dia eu nem saber mais o por que de toda a dor. De todo incômodo, já indolor. Você veio, mas só passou. Que tal o contrário? Romanceêmos mais a vida. E vamos deixar o casual só para os momentos especiais.
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Pra você, é mais.
Em tanto - E mais -
Se resumem meus votos procê:
No carinho que sinto
E no tanto que falta
No perto que é longe
- E mais -
No espaço que vivo
O bem que você faz
Em tanto, e mais:
Que o fim seja o meio,
E o começo só depois
Que a saudade seja boa
E os momentos, nada à toa
E em tudo, MAIS.
Mais a poesia
Mais os discos
Mais a falta do por que.
Mais viver!
Mais da gente nesses anos que esperam por você.
(Que não precise de nada além da vontade pra se tá por perto. Parabéns, os mais sinceros!)
sexta-feira, 1 de abril de 2011
# Pra não se inutilizar
O que falta é perceber que não há modo certo de ser. Foi assim, entre todo aquele mundo estranho, que não me assistia da platéia, porque era todo um palco só, quando tudo ficou tão claro. A liberdade de ser o que quisermos, e levar o melhor de tudo isso. O drama faz parte. Assim como é tolice reprimir o que vemos, é tão maior a besteira de negar a simplicidade de nos fazermos bem. O mundo tá aí, com planos de fundo e trilhas sonoras, só esperando por nós. Não me deixe esquecer de como me sinto agora. Obrigada, John.
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